domingo, 4 de janeiro de 2026

O Ano do "Não Sei": Quando o Propósito Ainda Não Chegou



Começar o ano sentindo que não tem um "grande propósito" pode ser angustiante, especialmente com a pressão das redes sociais para "vencer" e "planejar". Mas a verdade é que esse vazio pode ser um espaço de liberdade incrível.

Todo dia primeiro de Janeiro é a mesma coisa: uma enxurrada de metas, listas de hábitos inegociáveis e frases motivacionais sobre "encontrar o seu propósito". Parece que, se você não tem um plano de cinco anos traçado antes do café da manhã, você já começou o ano perdendo.

Pois bem, eu comecei este ano sem propósito. E estou tentando não entrar em pânico por causa disso.

Geralmente, a gente encara a falta de propósito como um vazio ou uma falha de caráter. Mas, desta vez, estou tentando olhar de outro jeito. E se o propósito de Janeiro (ou do ano inteiro) for justamente esse: não ter um norte definido e se permitir apenas circular?

A Tirania do "Porquê"

Vivemos sob a pressão de que tudo precisa ter um significado maior. O trabalho precisa ser uma missão, o hobby precisa ser monetizado, e cada minuto do dia precisa estar alinhado com uma "visão de futuro".

Mas a verdade é que a vida tem ciclos de pousio. Assim como a terra precisa descansar sem produzir nada para recuperar os nutrientes, a nossa mente também precisa de períodos de "despropósito".

O que fazer quando não se sabe o que fazer?

Se você também se sente assim, talvez possamos combinar algumas coisas para este ano:

  • Substituir a "Missão" pela Curiosidade: Já que não sei onde quero chegar, vou apenas seguir o que me desperta interesse hoje. Sem compromisso de ser produtivo.

  • Focar no Ritmo, não no Destino: Se eu não tenho uma meta gigante, vou focar em deixar o meu café gostoso, em manter minha casa em ordem e em dormir bem. O cotidiano tem valor por si só.

  • Aceitar o Silêncio: A falta de propósito gera um silêncio barulhento na cabeça. Em vez de preenchê-lo com ansiedade, estou tentando ouvi-lo. O que sobra de mim quando retiro as ambições?

Um convite ao inesperado

Talvez o propósito não seja algo que a gente "acha" sentado no sofá pensando sobre a vida. Talvez ele seja algo que nos atropela enquanto estamos distraídos vivendo.

Se você também começou o ano sem bússola, sinta-se em casa. Não ter um mapa nos permite explorar caminhos que quem tem pressa jamais veria. Este não é o ano da chegada; é o ano da caminhada cega. E tudo bem ser assim.


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